domingo, 15 de maio de 2011

VOCÊ TRATA SUA BÍBLIA COMO TRATA SEU CELULAR?

Já imaginou o que aconteceria se tratássemos a nossa Bíblia do jeito que tratamos o nosso celular?

E sempre carregássemos a nossa Bíblia no bolso ou na bolsa?

E se voltássemos para apanhá-la quando a esquecemos em casa, ou no escritório?

E se a usássemos para enviar mensagens a nossos amigos?

E se a tratássemos como se não pudéssemos viver sem ela?

E se a déssemos de presente às crianças?

E se a usássemos quando viajamos?

E se lançássemos mãos dela em caso de emergência?

Ao contrário do celular, a Bíblia não fica sem sinal.

Ela “pega” em qualquer lugar.

Não é preciso se preocupar com falta de crédito porque Jesus já pagou a conta e os créditos não tem fim.

E o melhor de tudo: não cai a ligação e a carga da bateria é pra toda vida.

“Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” (Is 55, 6)

Nela encontramos alguns telefones de emergência;

Quando estiver triste, ligue Jo 14.

Quando pessoas falarem de você, ligue Sl 27.

Quando você estiver nervoso, ligue Mt 6, 19-34.

Quando estiver em perigo, ligue Sl 91.

Quando Deus parecer distante, ligue Sl 63.

Quando sua fé precisar ser ativada, ligue Hb 11.

Quando você estiver solitário e com medo, ligue Sl 23.

Quando você for áspero e crítico, ligue Cl 3, 12-17.

Quando você se sentir triste e sozinho, ligue Rm 8, 31-39.

Quando você quiser paz e descanso, ligue Mt 11, 25-30.

Quando o mundo parecer maior que Deus, ligue Sl 90.

Para sermos bem sucedidos na vida devemos sempre consultar a Bíblia, pois, ela é o manual de instrução do homem!!! (2Tm 3, 16-17)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

ORAÇÃO DE SANTO INACIO

"Tomai, Senhor, e recebei toda a minha liberdade, a minha memória também. O meu entendimento e toda a minha vontade. Tudo que tenho e possuo vós me destes com amor. Todos os dons que me destes com gratidão vos devolvo. Dispondes deles, Senhor, segundo a vossa vontade. Dai-me somente o vosso amor, vossa graça. Isto me basta, nada mais quero pedir. Amém"

POR DO SOL PRESENTE DE DEUS

É um belíssimo por do sol que foi registrado na Praia do Arpoador, Rio de Janeiro. Trata-se da mais bela expressão de amor que Deus tem pela humanidade. Para mim o por do sol é um presente lindíssimo que Deus deixou para nós, para que, ao contemplá-lo, sintamos toda a grandiosidade de seu amor benevolente.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Ver Jesus (por Pe. José Bakir de Amorim, CSS)

A Igreja Católica está atenta às novas questões e necessidades que surgem neste início do terceiro milênio. Para este quadriênio a mesma lançou um novo projeto de ação pastoral: Projeto Nacional Queremos Ver Jesus - caminho, verdade e vida. Este projeto é uma tentativa de responder aos anseios e necessidades que a Igreja Católica vem passando a nível nacional.

Os projetos anteriores a este “Projeto Rumo ao Novo Milênio” (1999 - 2000) e “Ser Igreja no Novo Milênio” (20001 - 2003) suscitaram algumas necessidades para os novos rumos que a Igreja Católica deveria tomar. Como uma resposta a Igreja elabora o projeto Queremos Ver Jesus - caminho verdade e vida. Com este projeto, tende a assumir uma postura, ainda que teórica, de anunciar Jesus, estando atenta aos sinais dos tempos e às necessidades que o novo milênio traz consigo. É um projeto que visa estimular uma ação pastoral que, de fato, anuncie a mensagem e a pessoa de Jesus de uma maneira mais profunda e que tenha maior importância no âmbito pessoal e comunitário. A ação reveladora de Cristo se dá na comunidade e para a comunidade, que é o lugar do encontro pessoal com Cristo. A característica marcante deste projeto é - ou deveria ser - a presença do Deus uno e trino

Há um ponto fundamental que o projeto procura trabalhar que é um conhecimento profundo de Jesus e de sua missão. Não se trata de um conhecimento que nos é transmitido e, sim, de uma experiência íntima e profunda e que nos impulsiona à missão dentro de um espírito comunitário. Isto requer um novo ardor missionário que amplie e qualifique a própria ação missionária da Igreja de tal maneira que seremos capazes de promover a dignidade da pessoa, tendo como ponto marcante a questão da santidade, renovar a comunidade. Tal renovação se dá por meio de uma real comunhão através da palavra de Deus, pela oração e pela comunhão. Desta forma, quer superar o individualismo e enfraquecimento familiar. Por fim, participar na construção de uma nova sociedade, pois, existe a necessidade de uma maior participação efetiva dos cristãos na vida política da sociedade. O objetivo desta terceira meta é que haja uma superação das contradições do crescimento econômico, cultural e tecnológico, contra a miséria, a fome e a exclusão.

Os meios que este projeto se servirá são basicamente três: palavra, liturgia e caridade. São meios que tem a finalidade de elucidar, fortalecer e identificá-lo, além de deixar claro os caminhos que a Igreja deseja percorrer. Tal projeto procura atingir os que são batizados, mas, que estão longe da vida da comunidade e também a todos os grupos cristãos-religiosos. A proposta inicial é de irmos ao encontro daqueles que se encontram em dificuldade. A hora é oportunamente agora, mas, é preciso ter um ardor missionário renovado.

Este projeto apresenta como proposta inicial um mergulhar na fé e no amor. Para tanto é fundamental usar de uma linguagem que atinja as pessoas e saber acolher. Este projeto trás como proposta o estudo, a reflexão e oração sobre os quatro evangelhos.

Dentro deste projeto o verbo “Ver” assume um significado belíssimo e forte. Requer que tenhamos uma experiência profunda e marcante de Jesus. Mas, sabemos que a realidade é bem outra. Vivemos em uma sociedade pluralizada e, ao mesmo tempo, fragmentada pelo sistema sócio-político-cultural que oprime, onde o pobre está cada vez mais pobre. Falar de Jesus dentro da atual conjuntura que estamos vivendo é desafiador, chega a ser utópico. Antes de aceitarmos o convite feito por Jesus é necessário que façamos uma séria reflexão a cerca de sua proposta de sermos promotores de mais vida, pois, é sério e a sociedade divulga valores que vão contra a vida.

Este projeto, enquanto iniciativa, apresenta propostas e idéias que valem a pena ser levadas adiante, ser vividas pelos cristãos. Mas, por outro lado, a forma como ele foi elaborado não nos dá margem para fazer uma espécie de hermenêutica da experiência cristã. Para que esta hermenêutica aconteça realmente é preciso explicitar os fatos, e isto só é possível através de uma interpretação e reinterpretação dos mesmos. Tal momento significa fazermos uma apropriação da experiência a partir do que ela representa e significa. É como se fosse o resultado de uma “gestação” da experiência cristã que é feita através da vida e da caminhada.

A caminhada nos convida: vamos pensar a experiência cristã e o que ela nos convida apensar a partir dela. Para se pensar é preciso que haja a experiência. O fato de, como cristãos, estarmos referindo ao acontecido com Jesus nos remete a uma dimensão pessoal, pois, aponta para o que é suscitado entre Jesus e “os com Jesus”, ou seja, a mesma fé é vivida em contextos diferentes. Desta forma, pensar o fato cristão não é alienar-se, é tratar o cristianismo dentro da sociedade que vivemos, é pensar a transformação profunda que inside sobre a sociedade atual.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

ACONTECEU NA ÍNDIA

"Certa vez, na Índia, uma senhora estava em uma grande feira livre. De repente ela se abaixou e começou a procurar algo. Muitos feirantes começaram a procurar também. Mas, eles não sabiam o que estavam procurando. Um jovem resolveu perguntar: O que a senhora procura? Eu procuro uma agulha - respondeu a senhora. Todos que estavam ajudando na procura ficaram decepcionados e pararam de ajudá-la. Quando eles estavam saindo a senhora disse: Mas, é uma agulha de ouro. Imediatamente todos voltaram a procurar. O jovem perguntou outra vez: A senhora tem certeza de que a perdeu aqui? Não, respondeu a senhora, eu a perdi em casa. O jovem, indignado, disse: Mas, como a senhora procura fora algo que perdeu dentro de casa? A senhora respondeu: Pois é, assim como eu procuro fora o que perdi em casa, os seres humanos também procuram fora a felicidade. Mas, ela está dentro de cada ser humano".

segunda-feira, 21 de março de 2011

Exegese de Jo 1, 27 – 28 (por José Bakir de Amorim)

“...27aquele que vem depois de mim, do qualnão sou digno de desatar a correia da sandália’. 28Isso se passava em Betânia, do outro lado do Jordão,onde João batizava.”
1. Contexto: A perícope à qual o texto faz parte é Jo 1, 19-28, esta perícope vem logo após o prólogo de São João que é um hino de abertura, em prosa e poesia (Gn 1 = Jo 1). No prólogo fala-se da palavra vida (Logos).
É uma perícope em que o autor bíblico trata do testemunho e da profissão de fé de João Batista. Nesta perícope João responde aos sacerdotes e levitas que foram enviados a ele pelos judeus1 com o objetivo de o interrogarem. É interessante perceber que com João Batista termina o tempo da espera.
2. O versículo na perícope: Perícope: Jo 1, 19-28. Início: 19Este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para o interrogar: “Quem és tu?” Meio: 20Ele confessou e não negou; confessou: “Eu não sou o Cristo”. 21Perguntarm-lhe: “Quem és, então? És tu Elias?” Ele disse: “Não o sou”. – “És o profeta?” Ele respondeu: “Não”. 22Disseram-lhe, então: “Quem és, para darmos uma resposta aos que nos enviaram? Que dizes de ti mesmo?” 23Disse ele: paralelismo com Is 40, 3 e Mt 3, 3: “Eu sou a voz do clama no deserto: Endireitai os caminhos do Senhor, como disse o profeta Isaías”. 24Alguns dos enviados eram fariseus. 25Perguntaram-lhe ainda: “E por que batizas, se não és o Cristo nem Elias, nem o profeta?” 26João lhes respondeu: “Eu batizo com água. No meio de vós, está alguém que não conheceis, 27Aquele que vem depois de mim, do qual não sou digno de desatar a correia da sandália”. Fim: 28Isso se passava em Bethânia, do outro lado do Jordão, onde joão batizava.
3. Sentido exegético: Esta perícope exerce um papel importante dentro do corpo da obra de João porque é início do relato do ministério de Jesus. Mais precisamente trata-se de fazer uma introdução ao que pode-se chamar Semana Inaugural. Além disto, a perícope desenvolve a profissão de fé de João Batista e o término do tempo da espera.
É interessante perceber que o v. 27 conduz o leitor a uma personagem que já está presente, mas, que ainda não se deram conta de sua presença. É uma personagem até então oculta e que permanecerá oculta aos olhos dos sacerdotes e levitas que foram enviados pelos judeus (8, 19). Mesmo que não se identifique com Elias o próprio João se declara precursor. Ao mesmo tempo, ele afirma sua inferioridade com relação ao que vem. Está presente nesta cena, de maneira implícita, a lei do Levirato2. Quando João afirma que não pode tomar o lugar do que vem (cf. 1, 15), está anunciando aquele que vem como Esposo. Aqui se faz uma alusão ao v. 20, pois, negava ser o Messias e agora anuncia a chegada do mesmo. Na realidade o Messias já está presente no meio daqueles que o escutava. A chegada de Jesus marcará o início de suas atividades.
O v. 28 trata da localização de Betânia que não é muito segura, pois, pode se duvidar da existência deste lugar. Já no século III Orígenes adotara o nome Betabara – quer dizer “o lugar da passagem” – como leitura. Ele achou que este seria o melhor nome para se dar ao local do que Betânia. Porém, sendo real ou não o lugar, será de extrema importância porque será para lá que Jesus vai se retirar na última fase de seu “êxodo” e onde será constituida a sua comunidade (cf. 10, 40-42; 11, 1). É exatamente onde está João Batista que Jesus fará o seu lugar. É interessane perceber que para anunciar a salvação que está por vir João se coloca em um local que evoca a Terra da Libertação3. Esta Terra agora se encontra fora dos confins de Israel, em outras palavras, fora das instituições judaicas, ou seja, traz uma ruptura com as instituições e adesaão à esperança do libertador que chega.
O autor bíblico usa como gênero literário a narrativa. É uma característica que separa esta perícope do Prólogo. O evangelista faz uso deste gênero literário para dizer aos seus leitores que assim termina o tempo da espera. O verdadeiro Messias chegou e veio para trazer a liberdade e a vivência do amor.
4. Recepção do texto na Igreja: Embora haja presente uma certa linha de pensamento gnóstica4, o quarto evangelho foi aceito rapidamente na Igreja. Alguns até chegaram a utilizar o texto do evangelho de João contra pensamentos como o sectarismo de Marcião e contra aqueles que visavam o evangelho com uma interpretação gnóstica. Houve alguns movimentos que apresentaram uma certa resistência ao Evangelho de João. Dentre estes movimentos mencionam-se os antimontanistas e os álogos5. Estes últimos rejeitaram o evangelho do Logos por causa de sua divergência em relação aos sinóticos e por causa de seu caráter quase gnóstico.
A gnose encontrou no Evangelho de João um Logos celeste, revelador de verdades superiores, um Jesus “doceta”. [...] Diziam que o Logos deixara Jesus antes da morte na cruz, ou até que quem morreu foi Simão de Cirene6. Apesar disto a recepção do quarto evangelho não foi tão polêmica quanto se imagina. Porém, estes que se opuseram ao Evangelho de João apontam dois pontos perigosos: espiritualismo e gnosticismo.
5. Hermeneutica – atualização: Messias é o nome que os judeus davam ao Salvador esperado. Também o chamavam de o Profeta. E, conforme se acreditava, antes de sua vinda deveria reaparecer o profeta Elias.
João Batista nos dá um belo exemplo de profissão de fé e de como devemos agir na missão que foi a nós confiada. Sua função é de precursor do que há de vir e testemunha do que chegou. Diante de tendências errôneas, o evangelista quer deixar definida a posição de João com respeito a Jesus, e começa fazendo-o em forma de um testemunho qualificado perante oficiais autorizados.
Quando João Batista começou a pregação, os judeus estavam esperando o Messias, que iria libertá-los da miséria e da dominação estrangeira. João anunciava que a chegada do Messias estava próxima e pedia a adesão do povo, selando-a com o batismo. As autoridades religiosas estavam preocupadas e mandaram investigar se João pretendia ser ele o Messias. João nega ser o Messias, denuncia a culpa das autoridades, e dá uma notícia inquietante: o Messias já está presente a fim de inaugurar uma nova era para o povo.
Acredita-se que este testemunho e esta profissão de fé de João Batista nos conduz a refletir sobre como está sendo nossa conduta diante da missão que recebemos com o nosso batismo. É preciso saber distinguir os papéis que desempenhamos na comunidade eclesial e qual o lugar que Cristo ocupa em nossas vidas. Muitas vezes nos deparamos com pessoas que acabam por anunciar a si mesmo, caindo em um egocentrismo e esquecendo do próximo e desta relação bonita de amor que existe entre Deus, Jesus e o próximo. O evangelisa expressa esta relação de amor no trecho em que discorre sobre a parábola da videira (15, 1-17) onde nos diz que o amor vem do Pai, passa por Jesus e chega aos seus. É preciso que saibamos viver neste amor, e os frutos produzidos devemos partilhar com os irmãos. A fonte deste amor é Deus e precisamos agir como Jesus e fazer o que Ele nos sensinou: o amor fraterno. João Batista é a testemunha que tem como função preparar o caminho para os homens chegarem até Jesus. Ora, a testemunha deve ser sincera, e não querer o lugar da pessoa que ela está testemunhando.
6. Bibliografia: Bíblias TEB, Jerusalém e Bíblia do Peregrino com notas. KONINGS, Johan. Evangelho segundo João. Amor e fidelidade. Petrópolis, Vozes: 200 (Comentário bíblico) MATEOS, Juan e BARRETO, Juan. O evangelho de São João. São Paulo: Paulinas, 1989 (Grande Comentário Bíblico) BANCELLS, José O. Tuñi. O testemunho do evangelho de João. Petrópolis, Vozes, 1989. 1 Termo que em Jo tem várias significações. É utilizado frequentemente para designar os adeptos do judaísmo, cujos os ritos são explicados aos leitores de origem pagã. 2 Lei judaica segundo a qual, quando alguém morria sem filhos, um parente devia casar-se com a viúva para dar filhos ao falecido. A cerimônia para declarar a perda do direito consistia em desatar as sandálias (cf. Dt 25, 5-10; Rt 4, 6-7) 3 Terra Prometida 4 Gnosticismo: ecletismo filosófico-reiligioso surgido nos primeiros séculos da nossa era e diversificado em numerosas seitas, e que visava conciliar todas as religiões e a explicar-lhes o sentido mais profundo por meio da gnose, ou seja, por meio do conhecimento. 5 Heréticos que negavam a autenticidade do Evangelho e do Apocalipse de São João e recusavam a Cristo a qualidade do Verbo Eterno 6 KONINGS, Johan. Evangelho segundo João. Amor e fidelidade. Petrópolis, Vozes: 200 (Comentário bíblico)

O HUMANO: LUGAR DO SAGRADO (por José Bakir de Amorim)

A vida do ser humano é uma busca constante do sentido de sua existência. Para existir como humanidade, deve construir as condições de sobrevivência, que só se tornou possível em comunidade, onde através do conhecimento, indivíduo e comunidade se modificam.
O conhecimento, movido pela curiosidade e urgência de sobreviver, utiliza instrumentos e condições, definindo a identidade humana em dois planos: Indivíduo a sujeito original que vive num contexto. Contexto sócio cultural à família, trabalho, educação e lazer. A consciência de si mesma da pessoa é desenvolvida a partir da integração entre o plano individual e sócio cultural. A base das relações entre indivíduo e sociedade é a linguagem, que é a maneira mais complexa criada pelo homem para se relacionar com o mundo, caracterizando nossa maneira de ser e estar nele.
A linguagem permite a preservação da memória coletiva da sociedade, assim, conhecimento e linguagem permitem relacionar, interpretar e construir modos de inserção na realidade e, na capacidade de reflexão, mostra que o agir humano vai além da pura materialidade. O primeiro nível do conhecimento, pragmático, resulta da repetição sistemática dos elementos do cotidiano. O saber operativo resulta da constatação de eventuais semelhanças entre objetos e fenômenos sem critério crítico, senso comum. A pessoa, ao nascer, se encontra em uma circunstância, onde tentará superar as condições impostas, e ao deixar-se envolver por objetos e experiências que o fazem fugir da rotina, permite-se ao indivíduo, transcender o nível pragmático de existência. O afastamento do cotidiano aliado a essa tomada de consciência já insinua uma dimensão de sacralidade.
Através dos mitos e seus símbolos é que a imagem do mundo é desenhada e se esboça uma mediação entre imanência e transcendência. Através dos mitos, o homem transpõe sua temporalidade, sendo a religião a principal experiência que rege o universo místico. O conhecimento científico se caracteriza pela objetividade, a Filosofia é orientada por princípios racionais. Mas, apesar da contribuição Filosófica e Científica no processo de humanização, persiste a relação do humano com o transcendente o conhecimento teológico. A busca de sentido para a vida e a morte faz parte de uma perene tentativa de a humanidade manter contato com o Transcendente e se materializa em diferentes concepções religiosas. As mudanças necessárias à construção do humano exigem também a transformação das subjetividades pessoais e coletivas, encontrando a cada dia, um sentido novo de viver.
A partir de então se percebe que, para que haja de fato um novo sentido de viver, é necessária uma relação entre uma atividade filosófica e ética. A atividade filosófica, como busca do conhecimento verdadeiro, ampliado e aprofundado da humanidade realiza uma reflexão ética. O costume (significado de moral e ética) é uma forma de transcender a natureza e realizar ações dotadas de valor.
A moral nos faz perguntar: Que devo fazer? Como devo agir? Portanto, é o conjunto de valores, princípios e regras, noções de bem e mal, que norteiam o comportamento humano. Seu núcleo está na responsabilidade, e daí a liberdade. Liberdade, consciência do dever, vontade (autocontrole), relacionadas à determinação de regras sociais são os componentes da ação moral. A conduta Moral (verdadeiramente humana) visa sempre um determinado fim, concretizar um bem. Um dos nomes a isso é: felicidade, que só vem da satisfação Moral, logo só é viável na perspectiva da solidariedade. Não há bem, senão na relação com os outros. É pela mediação dos outros que cada homem se constitui sujeito livre e responsável, assim, qualquer modo de dominação frustra o processo de humanização do homem.
No interior da experiência religiosa, a ética encontra sua expressão cultural mais antiga e mais universal. Cabe à Ética perguntar os porquês das ações e juízos morais, e suas proposições devem ter o mesmo rigor, coerência e fundamentação das proposições científicas. Hoje, a Ética constitui um desafio, pois possui um sistema preocupante: o cinismo, ou, indiferença diante dos valores, que leva à desesperança, à negação da utopia, perdendo-se o sentido da construção humana. Aí aparece novamente a esperança. A esperança coloca à humanidade o desafio de construir o possível, criar uma sociedade na qual a questão da moralidade seria questão de todos e cada um. A esperança é uma virtude tão humana que ganhou um caráter teológico – a ela se articula a fé. Ambas não nos deixam ficar parados nos colocando diante de um ativismo que nos conduz às relações, pois, somos dotados de dinamicidade.
O ser humano é um ser de relações e se encontra imerso na provisoriedade. Relaciona-se de múltiplas formas com a natureza, a sociedade e com o Transcendente, assim almeja alguma solidez a provisoriedade.
O Trabalho é a tentativa de superar as limitações impostas pela natureza. A autoconsciência é sintoma da transcendência. A se ver ameaçado pela natureza, ele sobrevive mediante a produção de cultura. A força da ação humana consiste em ter a transcendência como origem de seus projetos e método de trabalho enquanto desejo e utopia. A recusa à transcendência é trágica ao ser humano, pois o torna resignado em sua mediocridade.
A certeza da morte do espaço ao anseio de eternidade e de superação. A religiosidade é, portanto, intrínseca à natureza humana – anseio de apreender a totalidade da vida e do mundo. Seu fundamento é a esperança de uma vida mais forte que a morte e a percepção de forças superiores. A racionalidade moderna desconsidera a religião e não percebe a relação com o Transcendente, como uma dimensão radicalmente humana. Não seria a voracidade do consumismo, uma pulsação da fome pelo sagrado? A identidade humana passa pelo encontro com o Absoluto: aí o provisório faz sua síntese com o eterno. VIDAL, Marciano. Moral de atitudes. Probelmas metodológicos e de conteúdo da chamada “moral fundamental”. Aparecida: Santuário, 1975. pp. 79-89